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Pseudoecologistas? Alto Paraíso de Goiás, domingo, 07 de agosto de 2005. O frio e o vento de Julho secou nossos campos... agora, Agosto chegou... e como sempre, o vento faz com que o clima fique bastante ameno à noite e até parte do dia... mas, mesmo com o clima ameno, o sol é bem forte e junto com o vento de alta altitude, a cada hora deixa a vegetação mais ressecada e propícia para o fogo. Este processo é conhecido por todos, seja ecologista verdadeiro ou detonador do ecossistema. Segundo informações de uma guia turística e profunda conhecedora deste município, desde julho o fogo já assola nosso paraíso. E como moro numa das áreas mais altas da cidade, entre 1260 e 1280 mts de altitude, tenho o privilégio de dominar um campo de visão de leste a oeste e pessoalmente posso afirmar que tenho observado colunas de fumaça durante o dia e fogo durante a noite, a subir por este rincão em quase toda esta área. E num início de noite destas em semanas passadas, ao presenciar um volume anormal de gafanhotos voando esbaforidos atravessando a rua do campo para os quintais do Bairro Cidade Alta, presenciei dois focos de fogo bem próximo à cidade. Em contato com alguns amigos tive acesso ao telefone do Ibama e liguei as 19:00 horas informando que os referidos pontos de fogo estava provavelmente no cinturão verde (zona de 10 kms da divisa do Parque Nacional) podendo chegar ao Parque Nacional se o vento soprasse mais forte, e fui informado que, poderia ficar tranqüilo, pois a brigada de incêndio do Parque já estava na área. Mas, as 22:00 horas liguei novamente no Ibama e fiquei sabendo que a brigada já tinha chegado em São Jorge e nada poderiam fazer. E aproximadamente neste horário, o fogo atingiu um prédio recém adquirido pela prefeitura, e a brigada improvisada que combateu o fogo (funcionários públicos e cidadões comuns), foi encabeçada pessoalmente pelo Sr. Prefeito Municipal até depois da meia noite. Valendo ressaltar que, este fogo, queimou a vargem ou savana e nascentes do Rio Pontezinha que abastece a cidade. Hoje foi mais triste, vi uma coluna de fumaça traçando o rumo das nascentes do Rio Pontezinha novamente, e com a bateria do telefone descarregada, presenciei a fumaça reduzindo e depois voltando a crescer. Pensei que já houvesse alguém combatendo o fogo e me desloquei para ver se poderia ajudar, mas, o que presenciei da estrada de São Jorge, me deixou totalmente perplexo. Tinha uma área queimada onde o fogo passou por área mais densa, seguindo por uma mais limpa atingindo a savana e mata ciliar do rio pontezinha que já se encontrava com fogo totalmente descontrolado e combatendo o fogo, só presenciei os pássaros agitados voando em revolta talvez tentando salvar os ninhos e filhotes. E como a fumaça estava espalhada por toda a mata ciliar, segui de carro ate onde a estrada atravessa o rio para ver se o fogo já tinha atravessado a estrada, e neste momento, vi novamente mais um fato grave das queimadas, dois macaquinhos e uma macaquinha com um filhote nas costas correndo e atravessando esbaforidamente a pista fugindo do fogo. E é com a alma em revolta que faço estes questionamentos: Sou sabedor que a Prefeitura Municipal não dispõe de verbas para assumir a despesa de uma brigada de incêndio, pois, se ela mal esta dando conta de assumir o pagamento do já reduzido quadro de funcionários, como assumir mais um quadro temporário? Depois me pergunto, quem mais pode ter obrigação com estes tristes episódios? Segundo informações de um funcionário do Ibama, a sua responsabilidade termina na divisa do Parque Nacional. E o cinturão verde (10 kms em volta do Parque)? Fiquei sabedor que teve um evento musical programado no Pesqueiro que fica dentro desta área, proibido pelo Ibama, justamente por se encontrar neste perímetro para não perturbar os animais. Será que a música é mais prejudicial que o fogo para os animais? Será que a musica queima mais os ovos e filhotes de pássaros e animais que o fogo? Segundo informações, este incêndio de hoje se encontra dentro do Cinturão Verde. Outro quesito importante é: vim morar em Alto Paraíso, devido a grande divulgação das atividades ecológicas desenvolvidas pelas ONGs da cidade. Mas, o que estou presenciando é ecologicamente correto? Qual relação as ONGs possuem realmente com o ecossistema? Já ouvir falar a boca pequena que, algumas ONGs da cidade já receberam de organismos internacionais grandes somas com finalidade de proteger o ecossistema. Mas, apesar de todo este dinheiro, não deu conta de montar uma brigada de fogo em um município que não possui suficiência para tal. Da boca pequena, fiquei também sabedor que alguns ecologistas desaprovam o acero (limpesa da área) de 150cm de cada lado da cerca para prevenir queimadas descontroladas porque, esta limpeza provocaria grandes perdas no ecossistema. Com acero, o fogo não teria como se propagar como tenho visto e portanto a perda do ecossistema seria muito menor. Também da boca pequena, fiquei sabedor que ONGs receberam dinheiro para projetar o aumento do Parque Nacional desapropriando pequenos agricultores e livrando milagrosamente a propriedade de um destes ecologistas. Com as terras divididas em pequenas propriedades, seria mais fácil controlar qualquer fogo. Qual o interesse real em aumentar a área do Parque? Principalmente quando presenciamos que ele não dá conta nem de proteger o Cinturão Verde. Recentemente durante um fórum em Alto Paraíso, vi e ouvi um representante de ONG (Conágua e Ecodata) solicitando inclusão na pauta que determinada estrada na região, não fosse asfaltada e uma ponte que estava projetada para ser construída de cimento, ser trocada por uma de madeira para que ficasse uma paisagem bucólica para o turista. Valendo ressaltar que o turista gosta de conforto e uma estrada de terra, não proporciona conforto. Outro quesito também é, uma estrada asfaltada pode danificar o ecossistema uma vez a cada 10 anos se cuidada adequadamente, e, uma estrada de terra, provoca voçorocas uma ou mais vezes por ano, sem contar que, o próprio ecossistema é danificado inclusive pela poeira da própria estrada. Também vale refletir que, uma estrada asfaltada se corre menos risco de propagação de fogo servindo como corta fogo, outro detalhe é, os transeuntes passam mais rápido e as áreas de capim ficam mais longe do leito da estrada com menos risco de incêndio acidental. Qual realmente foi a intenção ou finalidade desta solicitação? Com técnicas de Maquiavel expulsar esta população rural da área devido às dificuldades? Ou será que ele se esqueceu de mencionar na solicitação, um helicóptero de carga e passageiro para fazer o transporte de pessoas e cargas de meia em meia hora na região? Será que esta ação tem a ver com um documento escrito em alemão que foi traduzido para o português por um tradutor juramentado e publicado por uma revista antiga (não me lembro se a "Isto é" ou "Cruzeiro") creio que no final da década de oitenta ou já em noventa? O que dizia este documento? Ora, que alguns países do velho continente não reconheciam o território brasileiro e que, deveria aos poucos, tomar posse de partes de maior interesse, inclusive a Amazônia. Será que já temos alguns emissários tentando fazer a ocupação para esses países? Penso que, órgãos estaduais e federais como Secretaria de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Agencia Goiana de Meio Ambiente e Ibama, deveriam se unir e financiar um projeto de brigada todos os anos, coordenado pela Prefeitura Municipal para que todo o ecossistema do município fosse atendido sem preconceito, pois, a vida não é direito exclusivo do Parque Nacional. Sendo oportuno mencionar que, grande parte dos incêndios iniciado fora, devido à direção e até força dos ventos, pode em curto espaço de tempo atingir o cinturão verde e até mesmo o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Valendo ressaltar que, também é desumano (a menos que as pessoas que exercem estas atividades sejam meros ocupadores de vagas), para um profissional que se intitula combatente do fogo, ver uma coluna de fumaça e por esta não estar dentro de determinado perímetro, virar as costas e deixar que tudo venha a se queimar até que por ventura chegue dentro de sua área. Rezende
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