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Regiões Geoambientais Este item foi extraído do Zoneamento Geoambiental e Agroecológico do Estado de Goiás – Região Nordeste – Série de Estudos e Pesquisas em Geociências Nº 3 – Publicado pelo IBGE – Rio de Janeiro – 1995. A análise integrada dos elementos temáticos que constituem as cartas de serviço, através da correlação dos tipos genéticos de modelados e padrões de drenagem, em função das condicionantes geológicas, proporciona o estabelecimento do esboço morfoestrutural, contendo dados e informações referentes ao reflexo dos condicionamentos geológicos sobre o relevo e os materiais que originam os solos. Após o estabelecimento da compartimentação morfo-estrutural, são identificadas as combinações dos tipos genéticos de modelados e de solos, originando associações morfopedológicas, as quais se correlacionam às comunidades vegetais, proporcionando a definição dos geossistemas. Estabelecidos os sistemas ambientais ou geossistemas, identificam-se as menores unidades dentro desses sistemas que constituem as geofácies. Na área do município foram identificados três regiões geoambientais, a saber: Região I – Complexo Montanhoso Araí-Nova Roma-Veadeiros Região II – Planalto do Alto Tocantins-Paranaíba Região VI – Vão do Paranã No Quadro em anexo, estão resumidas as Regiões Geoambientais, os geossistemas e as geofácies correspondentes. Região I – Complexo Montanhoso Araí-Nova Roma-Veadeiros Situada nas partes noroeste e oeste da região nordeste do Estado de Goiás, esta unidade apresenta grande abrangência espacial, desenvolvendo-se nos Municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma, Alto Paraíso de Goiás e Colinas do Sul. Compartimentado em dois grandes blocos, entrecortado por penetrações do Pediplano do Tocantins, preserva as maiores altitudes do Estado de Goiás. A geologia da região caracteriza-se pela presença de litologias do Grupo Araí com estruturas falhadas e dobradas, além de litótipos do Grupo Bambuí, Complexo Goiano, Grupo Araxá, Formação Ticunzal e rochas graníticas. O relevo reflete a influência da estrutura e da litologia, os processos erosivos atuaram na região dissecando e evidenciando sinclinais alçadas e esvaziadas, fraturas, dobras e falhas, além de rampas e planos inclinados, cujas bordas em geral constituem escarpas de falha. Esta região abrange 10 geossistemas que constituem arranjos espaciais caracterizados pela semelhança de seus componentes físicos e bióticos, que numerados de 1 a 10 receberam a seguinte denominação: 1 – Veadeiros 2 – Araí 3 – Serra da Pedra Branca 4 – Serra do Tombador – Serra Branca 5 – Divisor dos Rios Tocantinzinho – Preto 6 – Serra da Aboboreira 7 – Serra da Boa Vista 8 – Escarpas Estruturais 9 – Serra da Prata 10 – Baixos Rios Preto – Tocantinzinho Desses geossistemas, apenas os denominados Veadeiros e Serra da Aboboreira encontram-se representados no município de Alto Paraíso. Geossistema 1 – Veadeiros Possuindo forma alongada de direção geral sudoeste-nordeste, ocupa a extremidade meridional da região do Complexo Montanhoso Araí – Nova Roma – Veadeiros e guarda os níveis mais altos do estado, entre 1.000 a 1.600 metros. Destacando-se nos níveis mais altos, onde se localiza o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, relevos planos e de topos tabulares (geofácies a, b, c, d) com fraca a moderada densidade de canais de drenagem e declives de encosta de 0 a 3 %. A extremidade nordeste caracteriza-se por encontrar-se intensamente dissecada em formas de topo convexo e aguçado (geofácies e, f, g) com moderada a forte densidade de drenagem e declives de 20 a 45 %. Ocorrem nesta unidade solos Latossolo Vermelho-Amarelo, Cambissolo e solos Litólicos. Abrangendo o Município de Alto Paraíso de Goiás, os Latossolos Vermelho-Amarelos (geofácies a, b) são álicos (saturação por alumínio > 50 %), profundos e muito profundos, textura argilosa e média, ocorrendo sob relevo plano e suavemente ondulado. Os Cambissolos (geofácies c) são álicos, pouco profundos, cascalhentos, de textura argilosa e relevo plano e suave ondulado. Ocupando grande extensão neste geossistema os solos Litólicos álicos (geofácies d, e, f, g) e distróficos (geofácies f) são cascalhentos, textura arenosa, média e argilosa e relevo que varia de plano e suave ondulado a montanhoso e escarpado. Fisionomias campestres arborizadas tipo Savana Parque e Savana Gramíneo-Lenhosa, eventualmente com distribuição de árvores pouco mais adensadas constituindo Savana Arbórea Aberta. Nas linhas de drenagem pode ocorrer vegetação mais exuberante como as matas ciliares, quase sempre ornadas com palmeiras higrófitas onde se destaca o buriti. A característica predominantemente cascalhenta do substrato associado a condições climáticas especiais induz a ocorrência de uma flora pouco mais especializada ou diferenciada das áreas de Cerrado comuns. Dentre suas espécies vegetais características citam-se várias veloziáceas Vellozia spp., leguminosas como Mimosa cf Clausseni e M. cf. densa além Eriocauláceas, Convoláceas e outras que contribuem para destacar a região como um conjunto cênico de rara beleza. Parte do geossistema constitui o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Fora dele, o uso atual prioriza as atividades de pecuária extensiva, praticada na situação de pastagem natural e com utilização periódica de fogo, prática disseminada como de melhoria e manutenção. A geologia desse geossistema é representada por rochas do Grupo Araí, ocorrendo na maior parte da área representativa do município as litologias associadas à Formação Arraias (ver capítulo sobre Geologia). Geossistema 6 – Serra da Aboboreira Abrangendo área de relevo dissecado, com cristas orientadas segundo N-S, o geossistema Serra da Aboboreira situa-se entre as áreas deprimidas dos Vales de Cavalcante – Teresina – Rio Paranã e Aurominas – Rio Paranã. A sul limita-se com o geossistema Veadeiros e a norte com as cristas de quartzitos, que caracterizam essa porção da unidade, terminam nas proximidades do Rio Paranã. Divisor de águas entre os vales do Rio das Pedras (parte norte do município de Alto Paraíso) e o Ribeirão dos Bois, constitui relevo resultante de dobramentos e falhamentos, com altitude variável entre 500 e 1.000 metros. Possui topo conservado e dissecado em interflúvios tabulares (geofácies a, b, c), com densidade de drenagem moderada a forte, com declives entre 8 e 75%. Suas bordas voltadas para oeste formam escarpa de falha inversa ou de empurrão. As encostas voltadas para leste e oeste encontram-se dissecadas em formas de topo convexo (geofácies d) e os contatos com os níveis mais elevados do geossistema Veadeiros (geofácies e) encontram-se dissecados em formas de topo convexo e aguçados com forte densidade de canais de drenagem e declives entre 45 % a mais de 75 %. Apresentam solos tipo Latossolo Vermelho-Amarelo e Litólicos. Os Latossolos Vermelho-Amarelos (geofácies a) estão presentes nesta unidade com muito baixa ocorrência. São álicos, profundos, de textura argilosa e média, com relevo plano e suave ondulado. Ocupando praticamente toda a extensão da unidade ocorrem os solos Litólicos álicos (geofácies b, c, d) e distróficos (geofácies e). Os distróficos estão presentes próximo a Teresina de Goiás na direção de Alto Paraíso (geofácies e) e estão associados a solos de boa fertilidade natural apresentando altos teores de fósforo proveniente da decomposição da rocha original. Constitui-se de fitofisionomias savânicas, com destaque para o Campo Cerrado e Campo Sujo, ou Savana Arbórea Aberta e Savana Parque, respectivamente. No entalhamento do relevo pode ocorrer vegetação mais densa tipo Cerradão ou mesmo tipologia florestal de transição. Com ocupação rarefeita, destaca-se o uso de pastagem natural para pecuária extensiva. A maior parte desta unidade de paisagem encontra-se esculpida em litologias da Formação Arraias do Grupo Araí. Na porção norte registra-se a presença de litologias do Complexo Basal em área deprimida entre cristas de quartzitos e na porção sul ocorre pequenos restos de cobertura cenozóica. Sobre o aspecto litológico do geossistema Serra da Aboboreira deve ser ressaltada a ocorrência de rochas metavulcânicas de caráter básico e ácido, como se observa ao longo da rodovia GO-118 nas proximidades de Teresina de Goiás. Região II – Planalto do Alto Tocantins-Paranaiba Constituindo a parte sul-sudoeste da região, esta unidade apresenta correlação com a litologia, abrangendo a área de exposição do Grupo Paranoá, desenvolvendo-se nos Municípios de São João d`Aliança, Alto Paraíso de Goiás, Colinas do Sul e Nova Roma. Apresenta relevos planos basculados com inclinação para o sul, entrecortados por áreas intensamente dissecadas pelos formadores do rio Tocantinzinho, conformando um conjunto de relevos esculpidos em litologias do Grupo Paranoá com a presença de colúvios pedogeneizados nos chapadões. Esta região abrange três sistemas ambientais, reunindo características comuns a cada um, representados pelos números 11, 12 e 13 e que receberam a seguinte denominação: 11 – Borda da Serra Geral do Paranã 12 – Chapadas de São João d´Aliança – Alto Paraíso de Goiás 13 – Vertentes do Rio Tocantinzinho – Ribeirão das Brancas Esses três geossistemas ocorrem no Município de Alto Paraíso. Geossistema 11 – Borda da Serra Geral do Paranã Posicionado na extremidade oriental da região Planalto do Alto Tocantins – Paranaiba, com cotas altimétricas de 600 a 1.100 metros, constituindo uma faixa de transição alongada no sentido norte-sul, entre os relevos altos do Planalto e o Vão do Paranã, recebe o nome de Serra Geral do Paranã. Forma uma escarpa de falha com formas dissecadas de topo convexo (geofácies b), com moderada a forte densidade de drenagem e declives de 8 a 20 %. Os relevos dissecados em forma de topo aguçado (geofácies a) apresentam densidade de canais de drenagem moderada a forte e forte com declives de 20 a 75 %. Ocorrem nesta unidade geoambiental solos Cambissolos e solos Litólicos. Os Cambissolos (geofácies a) são eutróficos (média a alta fertilidade natural), estando este carater diretamente relacionado com rochas calcárias presentes na área, são pouco profundos, podendo apresentar cascalhos em quantidade significativa na massa do solo, a textura é argilosa e o relevo forte ondulado, estão presentes ao norte dessa unidade. Abrangendo praticamente toda a área, os solos Litólicos são álicos (alta saturação por alumínio), podendo apresentar (geofácies b) e não apresentar (geofácies c) cascalhos e concreções ferruginosas em quantidade significativa. Possuem textura arenosa média e argilosa e se encontram sob relevo que varia de ondulado a montanhoso e escarpado. Nos topos colinosos predominam as fisionomias campestres de Savana Parque e Savana Gramíneo-Lenhosa. Nos entalhamentos do relevo e nas áreas de solos eutróficos (geofácies a) predomina a Floresta. É nesta última situação que ocorre uso mais especializado como pastagem plantada, agricultura de subsistência, vegetação secundária ou capoeira, além de uma incipiente e decadente exploração madeireira. Na borda oeste desta unidade há uma faixa representada pelo Grupo Paranoá e na parte leste ocorrem as Formações Três Marias e Paraopeba do Grupo Bambuí (ver descrição no item sobre Geologia). Geossistema 12 – Chapadas de São João D´Aliança – Alto Paraíso de Goiás Caracterizado por extensas áreas com relevos planos ou dissecados em interflúvios tabulares, com altitudes oscilando entre 1.000 e 1.300 metros, apresenta chapadas levemente basculadas para o sul, evidenciando perturbações tectônicas da estrutura. A dissecação diferencial favoreceu a preservação dos planos inclinados com dissecação fraca e moderada a forte (geofácies a, b, c, d, f) e declives de 0 a 3 %. Ocorrem relevos dissecados em forma de topo convexo e pequenas áreas de topo tabular (geofácies e, g, h) com cobertura de material detrítico ferruginizado, remanescentes de couraças desmanteladas, com densidade de drenagem moderada a forte e forte, com declives de 8 a 20 %. As áreas dissecadas em forma de topo aguçado (geofácies i) apresentam densidade de drenagem moderada a forte e muito forte com declives variáveis entre 45 a 75 %. Ocorrem nesta unidade geoambiental solos Cambissolos e solos Litólicos. Os Cambissolos (geofácies a) são eutróficos (média a alta fertilidade natural), estando este carater diretamente relacionado com rochas calcárias presentes na área, são pouco profundos, podendo apresentar cascalhos em quantidade significativa na massa do solo, a textura é argilosa e o relevo forte ondulado, estão presentes ao norte dessa unidade. Abrangendo praticamente toda a área, os solos Litólicos são álicos (alta saturação por alumínio), podendo apresentar (geofácies b) e não apresentar (geofácies c) cascalhos e concreções ferruginosas em quantidade significativa. Possuem textura arenosa média e argilosa e se encontram sob relevo que varia de ondulado a montanhoso e escarpado. Ocorrem nesta unidade solos Latossolo Vermelho-Escuro, Latossolo Vermelho-Amarelo, Cambissolo, Gleissolos e solos Litólicos. Os Latossolos Vermelho-Escuros (geofácies a) são álicos (alta saturação por alumínio) e distróficos (média saturação por bases, geralmente entre 20 e 35 %), profundos e muito profundos, possuem textura muito argilosa, ocorrendo sob relevo plano e suave ondulado em extensão considerável (em torno de 40 %) dentro da unidade. Possuem regular potencial agrícola, a fertilidade natural baixa e a deficiência hídrica são os fatores limitantes ao uso. Os Latossolos Vermelho-Amarelos (geofácies b) apresentam alta saturação por alumínio, textura argilosa e média, encontrando-se nas superfícies aplainadas com declives que variam de 0 a 8 %. Presentes nas geofácies c, d, e , os Cambissolos são álicos, cascalhentos e não cascalhentos, concrecionários e não concrecionários, pouco profundos, de textura argilosa, com relevo que varia de plano a ondulado. Sob relevo plano, ocorrem isoladamente na unidade pequenas depressões onde estão presentes Gleissolos álicos (geofácies f), hidromórficos, de textura média. Nas áreas de relevo dissecado, com declives > 8 %, ocorrem os solos Litólicos (geofácies g, h, i), álicos (saturação por alumínio > 50 %), podendo ocorrer presença de cascalhos e concreções ferruginosas (geofácies h), a textura pode ser arenosa, média ou argilosa. Fisionomias campestres englobam Savana Gramíneo-Lenhosa, Savana Parque e Savana Arbórea Aberta, respectivamente Campo Limpo, Campo Sujo ou Cerradinho e Campo Cerrado. Em sua ocupação e uso atual destacam-se atividades que vão desde pecuária extensiva com utilização de pastagem nativa, passando por pastagens plantadas, agricultura tecnificada, anual e perene, como soja, arroz, milho, café, laranja ou manga, e reflorestamento com Eucaliptus, alem de exploração mineral (manganês). Esta unidade de paisagem está sustentada por rochas do Grupo Paranoá e apresenta restos de cobertura detritico-lateríticas referíveis ao Terciário e Quaternário (ver descrição no item Geologia) Geossistema 13 – Vertentes do Rio Tocantinzinho – Ribeirão das Brancas Dissecado pelo rio Tocantinzinho e seus tributários do alto curso, esse sistema encontra-se entre 500 e 1.000 metros de altitude. Relevos residuais de topo plano e tabular guardam altimetrias e características dos níveis superiores (geofácies a, b, c), com fraca a moderada e moderada a forte densidade de drenagem com declives de 0 a 3 %. Na parte rebaixada, dominam relevos dissecados em forma de topo convexo (geofácies d, f), com densidade de drenagem moderada e moderada a forte e declives de 3 a 20 % em forma de rampas pedimentadas, inclinadas em direção ao vale do rio Tocantinzinho. Apresenta o sistema de planos inclinados e ravinados que fazem contato com os níveis superiores providos de cobertura coluvial (geofácies e, g, h, i), com formas aguçadas e densidade de drenagem forte e muito forte, com declives de 8 a 75 %. Predominam nesta unidade os solos Latossolo Vermelho-Escuro, Latossolo Vermelho-Amarelo, Cambissolo e solos Litólicos. Os Latossolos Vermelho-Escuros (geofácies a) ocorrem em pequenas manchas isoladamente, remanescentes das áreas contínuas de Latossolos da Unidade II . 12. São álicos e distróficos, profundos e muito profundos, de textura muito argilosa, com relevo plano e suave ondulado. Sob esta mesma fase de relevo se encontram os Latossolos Vermelho-Amarelos (geofácies b) álicos, profundos e muito profundos, de textura argilosa e média, possuindo as mesmas limitações ao uso agrícola que os Latossolos Vermelho-Escuros (deficiência de água e baixa fertilidade natural). De pequena ocorrência na unidade os Cambissolos álicos (geofácies c, d) podem apresentar os caracteres cascalhento e concrecionário, são de textura argilosa, pouco profundos e se encontram sob relevo plano e suavemente ondulado. Onde o relevo apresenta fortes declives, os processos físicos mais acentuados que os pedogenéticos, não havendo formação do horizonte B, ocorrem os solos Litólicos álicos (geofácies e, f, g) e distróficos (geofácies h, i). Na geofácies f, esses solos são cascalhentos, podendo apresentar concreções ferruginosas. Os álicos são de textura arenosa, média e argilosa, os distróficos de textura média. Savana Arbórea Aberta é a fisionomia mais comum neste geossistema, seguido de Savana Parque. Em situações especiais e muito restritas, como nos entalhamentos do relevo, pode ocorrer o Cerradão ou fisionomias transicionais de floresta, quase sempre com a presença de babaçu (Orbignya sp.) . Preponderantemente, desenvolve-se a pecuária extensiva, aproveitando-se as pastagens naturais, seguida de pastagens plantadas e agricultura de subsistência. Em situações de relevo e solos propícios (geofácies a, b) principalmente, também ocorre utilização com agricultura tecnificada e reflorestamento com Eucaliptus. Esta unidade de paisagem está representada geologicamente pelo Grupo Paranoá (ver descrição no item Geologia). Região III – Vão do Paranã Circundado por relevos de planaltos e chapadas, o Vão do Paranã se constitui numa região deprimida com altitudes que oscilam entre 400 e 600 metros, alongada no sentido norte-sul. Apresenta como característica principal a sucessão na morfologia de relevos planos e encouraçados. Constitui uma depressão entre os relevos do Planalto do Divisor São Francisco-Tocantins e o Planalto Central Goiano, desenvolvendo-se da porção centro-sul da região nordeste do Estado de Goiás para a porção nordeste, abrangendo parte dos municípios de Flores de Goiás, Alvorada do Norte, São João d´Aliança, Alto Paraíso de Goiás, Simolândia, Posse, Iaciara, Guarani de Goiás, Nova Roma, São Domingos, Monte Alegre de Goiás, Divinópolis de Goiás e Campos Belos. O Rio Paranã drena a área comandando o nível de base regional. Na parte sul concentram-se áreas ainda não incorporadas à rede de drenagem atual, com predomínio de escoamento difuso. Abrange litologias do Grupo Bambuí, coberturas detrítico-lateríticas e coberturas arenosas. Inclui os geossistemas: 19 – Vão do Paranã Norte 20 – Vão do Paranã Sul Na área do município de Alto Paraíso de Goiás ocorre, na parte este, feições geomórfológicas representativas do geossistema 20 – Vão do Paranã Sul. 20 – Vão do Paranã Sul Ocupando a parte sul do Vão do Paranã, esse geossistema caracteriza-se por apresentar áreas arreicas. As áreas que se estendem entre o rio Paraim a sudoeste e o rio Corrente a norte, são áreas de acumulação inundáveis, representadas por pequenas depressões fechadas, abaciadas, com ou sem água e antigos vales preenchidos com material arenoso e argilo-siltoso (geofácies j). Relevos planos e de topo tabular com fraca densidade de drenagem (geofácies a, b, c, d, e, i), com declives de 0 a 3 %, ocorrem no sistema. Afloramentos rochosos em forma de cristas alongadas (geofácies r) destacam-se no relevo regional. Nas áreas que se estendem entre o rio Paranã e o sopé da Serra Geral do Paranã, dominam relevos planos, com coberturas areno-argilosas ferruginizadas sobre rochas sílticas do Grupo Bambuí (geofácies h) com densidade de drenagem fraca e declives de 0 a 3 %. Junto aos canais de drenagem temporários desenvolvem-se relevos dissecados de topos convexos e aguçados (geofácies p, n), densidade de drenagem moderada e declives de 20 a 45 %. Localizam-se neste geossistema os solos Latossolo Vermelho-Escuro, Latossolo Vermelho-Amarelo, Podzólico Vermelho-Escuro, Podzólico Vermelho-Amarelo, Cambissolo, Plintossolo, Areias Quartzosas, solos Litólicos, Petroplínticos e afloramentos rochosos. Situados ao sul da unidade estão presentes os Latossolos Vermelho-Escuros (geofácies a), álicos (alta saturação por alumínio), muito profundos, de textura argilosa, sob relevo plano e suave ondulado. Os Latossolos Vermelho-Amarelos são distróficos (baixa saturação de bases) na geofácies b e álicos nas geofácies c, d, profundos e muito profundos, de textura argilosa e média e relevo plano e suave ondulado. Os Podzólicos Vermelho-Escuros (geofácies e) são eutróficos (alta saturação por bases), profundos de textura argilosa/muito argilosa e relevo plano e suave ondulado. Os Cambissolos são álicos (geofácies f, g, h) e eutróficos (geofácies i). Os álicos podem apresentar os caracteres cascalhento e concrecionário, os eutróficos são endoconcrecionários, isto é, apresentam concreções na sua parte superficial. São de textura argilosa e se encontram sob relevo que varia de plano a ondulado. Nas partes abaciadas e próximo às margens do Rio Paranã ocorrem os Plintossolos álicos (geofácies j), pouco profundos, endoconcrecionários e não concrecionários, de textura indiscriminada, sob relevo plano e suave ondulado. As Areias Quartzosas são distróficas (geofácies l), muito profundas, textura arenosa, ocorrendo sob relevo plano e suave ondulado. Os solos Litólicos são álicos e distróficos (geofácies m, n) e eutróficos (geofácies o, p). Nas geofácies m, o, p podem apresentar cascalhos em quantidade significativa. Possuem textura argilosa, média e arenosa e se encontram sob relevo que varia de plano e suave ondulado a forte ondulado e montanhoso. Os Petroplínticos (geofácies q) são álicos, de textura indiscriminada e relevo plano e suave ondulado. Presentes na unidade pequenos afloramentos rochosos. A maior parte do geossistema é vegetado por fisionomias diversas de Savana, principalmente Arbórea Aberta (Campo Cerrado). Apresenta ainda ocorrências de Floresta Estacional Semidecidual Submontana, na contingência de solos eutróficos bem drenados. Com ocupação crescente a área destaca os usos de pastagens plantadas e pastagens naturais para pecuária extensiva. Destaque ainda para lavouras de arroz, irrigadas por inundação, especialmente no município de Flores de Goiás (geofácies j). A extração de aroeira guarda ainda razoável importância, bem como a extração de lenha para carvoejamento. Litologicamente é constituido por rochas do Grupo Bambuí, especialmente da Formação Paraopebas e por coberturas detritico-lateríticas e areias holocênicas (ver item Geologia). O Mapa nº 11 mostra as regiões geoambientais do município de Alto Paraíso. Ver mapa geoambie.pdf
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