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Geologia Este texto representa uma síntese dos trabalhos geológicos efetuados na região até o presente, estando baseado especialmente em: - Carta Geológica do Brasil ao Milionésimo – Folha Brasília SD. 23 – 1976. - Projeto Manganês no Centro Sul de Goiás – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – 1977. - Estratigrafia e Sistemas Deposicionais do Grupo Paranoá nas Áreas de Cristalina, Distrito Federal e São João D´Aliança-Alto Paraíso de Goiás – Tese de Doutorado de Álvaro de Faria – Instituto de Geociências da Universidade de Brasília – 1995. - Geologia do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – GO – trabalho efetuado para o IBAMA pelo Instituto de Geociências da Universidade de Brasília – 1997. Os dados aqui apresentados são de caracter geral, pois os levantamentos geológicos mais detalhados disponíveis se encontram na escala 1:100.000, apropriados para o âmbito regional à que se propôs. Para maiores detalhes haveria necessidade de serem efetuados novos trabalhos de campo visando melhor definição das relações estratigráficas entre as várias unidades existentes, maior caracterização do contexto deposicional e dos diferentes graus de metamorfismo das unidades litológicas, assim como uma definição das relações estruturais existentes (falhas, dobras). Geologia Regional O município de Alto Paraíso faz parte da porção norte da Faixa de Dobramentos e Cavalgamentos Brasília, na Província Estrutural do Tocantins. Predominam amplamente sedimentos submetidos à metamorfismo de baixo grau (metassedimentos) que repousam discordantemente sobre o complexo granítico-gnaíssico (Pré Cambriano Indiferenciado) que aflora ao norte, já no município de Cavalcante. Neste item serão descritas apenas as unidades estratigráficas que afloram dentro dos limites geográficos do município, a saber: Grupo Araí: Formação Arraias Grupo Paranoá Grupo Bambuí:Formação Paraopeba Formação Três Marias Alem dessas unidades de idade Pré Cambriana, ocorrem ainda coberturas detrítico-lateríticas correlacionadas ao Terciário e coberturas aluvionares do Quaternário. Na coluna Crono-Estratigráfica em anexo é mostrado um resumo das unidades geológicas ocorrentes no município de Alto Paraíso. Ver geology.pdf Grupo Araí: Este grupo é costumeiramente dividido em duas formações: - Formação Arraias - inferior - Formação Traíras – superior Formação Arraias: Esta unidade tem boas exposições em afloramentos a noroeste da Chapada dos Veadeiros, sendo constituída por quartzitos de granulação média, cor creme-claro, bastante puros, às vezes arcozianos ou sericíticos, apresentando estruturas sinsedimentares tais como: estratificação cruzada e marcas de ondas. Localmente essas rochas são recortadas por fraturas preenchidas por quartzo. Intercalados a estes quartzitos encontram-se clorita-xistos de granulação fina, textura lepidoblástica e cor esverdeada passando a rosa-amarelada quando decompostos. Observa-se grande semelhança entre os quartzitos da Formação Arraias e alguns quartzitos do Grupo Paranoá. Sugere-se que a distinção entre os mesmos pode ser feita pela completa ausência de veios de quartzo economicamente exploráveis (cristal de rocha) nos quartzitos do Grupo Paranoá Formação Traíras: Esta formação aflora sobretudo no fundo dos vales escavados em anticlinais do Grupo Paranoá, numa região abrangida pelo curso médio dos rios Tocantinzinho, Bagaginha e seus pequenos tributários. É predominantemente constituída por uma sequência de quartzitos finos, metassiltitos e filitos, com intercalações em camadas de calcoxistos. O contato com a formação Arraias é concordante e caracterizado somente pela frequência mais constante de metapelitos, o que leva a crer tratar-se de contato transicional. A leste do rio Tocantinzinho esta unidade jaz sobre sedimentos mais novos do Grupo Paranoá, através de falhamento de empurrão com direção NNW-SSE, o qual é truncado por falha de rasgamento de direção ESSE-NSW nas proximidades da Serra do Segredo. Ao contrário da Formação Arraias, esta sequência superior do Grupo Araí não mostra relações de contato com a Formação Paraopeba. Grupo Paranoá: Os metamorfitos do Grupo Paranoá ocupam grande parte da área do município de Alto Paraíso. A sequência litológica que o compõe é iniciada por um conglomerado basal designado por "conglomerado São Miguel", constituído predominantemente por seixos de quartzitos e metassiltitos, imersos numa matriz de natureza síltico-argilosa com cimento carbonático, apresentando coloração cinza-esverdeada e mostrando cristais encarnados de calcita. Este tipo de rocha encontra-se bem exposto no Vale da Lua, as margens do Ribeirão São Miguel. A natureza de deposição destes conglomerados ainda é controvertida. O autor destas linhas acredita no entanto, levando em contra o formato dos seixos, a constituição da matriz assim como sua coloração, que esse conglomerado seja de origem glacial, depositado por antiga geleira Pré-Cambriana. Segue-se a esse conglomerado, uma sequência de quartzitos e rochas pelíticas, estas últimas constituídas por metassiltitos com intercalações de metargilitos e ardósias. Os quartzitos são geralmente de granulação média, coloração branca e rósea, textura sacaroidal, bem classificados e bastante puros. Nestas rochas, são frequentes estruturas sedimentares bem preservadas, como marcas de onda e estratificação cruzada. Os metargilitos ocorrem predominantemente laminados e a coloração varia de castanho-escuro a cinza-claro. Intercalados aos metassiltitos aparecem termos litológicos constituindo ardósias típicas, com colorações róseas a lilás, às vezes laminadas. Os metassiltitos constituem a litologia dominante na área. Mostram-se bem laminados e sua coloração varia de creme a avermelhada. Grupo Bambuí: Com base no caráter puramente litológico, o grupo Bambuí foi dividido em três grandes unidades: Formação Paranoá: inferior, constituida por quartzitos e pelitos, estes últimos intimamente associados às mineralizações de manganês; Formação Paraopeba: intermediária, predominantemente pelítica e carbonática; Formação Três Marias: composta essencialmente por psamitos arcosianos. A passagem de uma unidade para outra é concordante e gradativa, refletindo somente mudanças no ambiente de sedimentação. Ocorrem também alguns contatos tectônicos entre essas unidades, originados por falhas de empurrão posteriores. A idade sugerida atualmente para o Grupo Bambuí é de 950 a 1350 m.a (Pré Cambriano Superior) Atualmente há uma tendência em classificar a Formação Paranoá como um grupo distinto, separando-a do Grupo Bambuí. Não cabe neste trabalho maiores discussões sobre este assunto, mas seguimos a tendência dos pesquisadores mais modernos. Desta forma, a antiga formação pertencente ao Grupo Bambuí foi tratada como um Grupo à parte. Formação Paraopeba: Com a mudança no ambiente de sedimentação da Bacia Bambuí, ocorrente após a deposição do Grupo Paranoá, iniciou-se a deposição da Formação Paraopeba, caracterizada por uma alternância pelito-psamítica associada a fácies carbonáticas. Litologicamente é constituída por metassiltitos, metargilitos, quartzitos, margas e lentes descontínuas de calcário escuro, as vezes dolomiticos e silicosos. As melhores exposições da Formação Paraopeba são encontradas no vale do Rio São Bartolomeu, na região designada por "Sertão". Formação Três Marias: É a unidade de menor representação espacial dentro do município, ocorrendo apenas no extremo este. Litologicamente esta Formação é constituida por arcósios finos e siltitos, os quais se encontram em camadas sub-horizontais ou levemente onduladas. Coberturas Detrito-Lateríticas: Ocorrem em grande parte da área do município, especialmente nas áreas de menor declividade, onde se desenvolve uma capa de natureza areno-argilosa, parcial ou totalmente laterizada, com uma carapaça ferruginosa constituita por concreções de limonita. Essa cobertura atinge espessuras de até 15 metros, dificultando a reconstituição da litologia original subjascente. Nos pelitos da Formação Paranoá é que os lateritos são mais extensos e representativos, chegando a recobrir extensas áreas. Esses sedimentos, desenvolvidos no Terciário, não foram representados nos mapas geológicos elaborados para o município de Alto Paraíso. Depósitos Aluvionares: Constituem depósitos recentes (Quaternários) realizados pelos atuais rios. Os aluviões mais importantes desta região estão ligados ao rio Paranã e alguns de seus afluentes. Esses depósitos são formados por sedimentos arenosos e conglomeráticos, inconsolidados, frequentemente compostos por materiais de natureza quartzosa. No âmbito do município de Alto Paraíso não foram constatados aluviões de grande extensão, razão pela qual deixaram de ser representados nos mapas geológicos. No Mapa Geológico – Mapa Nº 9 – são mostradas as principais unidades estratigráficas ocorrentes no Município de Alto Paraíso. Ver mapa geologia.pdf Geologia Estrutural: Grupo Araí: Destacam-se importantes feições estruturais nas rochas deste Grupo: duas direções de dobramentos (NW-SE e NE-SW), extensas falhas de rasgamento e uma grande falha de empurrão de direção geral NW-SE. O dobramento principal, com direção NE-SW, é caracterizado por anticlinais e sinclinais abertas, de pequena extensão, com caimento geral para SW. O outro dobramento possui anticlinais e sinclinais amplas e a direção de seus eixos é NW-SE com variações para E-W. As outras feições estruturais ocorrentes na área, são constituídas por grandes falhas de rasgamento de direção NE-SW e a falha de empurrão de direção NW-SE, que coloca rochas mais antigas do Grupo Araí sobre rochas mais jovens do Grupo Bambuí. Grupos Paranoá e Bambuí: Representados na maior parte da área pela Grupo Paranoá, possuem elementos estruturais que definem no mínimo dois padrões de deformação, caracterizando dois eventos tectônicos distintos. Ao primeiro correspondem caracteres que fornecem à unidade uma configuração estrutural formada por amplos dobramentos, cujos eixos possuem direção predominante E-W. Ao segundo, relaciona-se um conjunto de dobras apertadas, simétricas e assimétricas, com eixos de direção NNE/SSW. Na região de Alto Paraíso destacam-se dobramentos amplos, em sua maioria simétricos, com eixos aproximadamente N-S. Por outro lado a ação dos dois eventos tectônicos, determinou o aparecimento de estruturas de interferência, as quais são marcadas por braquissinclinais e braquianticlinais. Relacionadas à fase tardia de dobramentos, destacam-se grandes falhas de empurrão. Uma delas estende-se desde o extremo sudeste da área até a altura de Alto Paraíso infletindo-se daí para oeste. Esta falha é responsável pelo escarpamento da Serra Geral do Paranã e coloca os quartzitos Paranoá sobre os arcózios filitizados da Formação Três Marias. Essas direções de falhamentos e de fraturamentos poderão ser de grande importância em futuras prospecções para obtenção de água subterrânea, tendo em vista que pela natureza metamórfica das rochas existentes, as estruturas acumuladoras de água no subsolo passam a ser quase que exclusivamente os espaços vazios originados pelas falhas e fraturas. Geologia Econômica: Neste item serão assinaladas apenas algumas possibilidades de ocorrência de minerais passíveis de exploração econômica na área do município, em estreita relação com o que se conhece das unidades litológicas existentes. Grupo Araí: Formação Arraias: São assinaladas várias ocorrências de cristal de rocha que foram exploradas em rochas desta formação, relacionadas com os quartzitos intensamente atravessados por veios de quartzo de natureza hidrotermal. Algumas ocorrências de ouro também estão ligadas à este tipo de rochas. Grupo Paranoá: As jazidas de manganês exploradas no município de São João d' Aliança estão correlacionadas com sedimentos deste Grupo. Na parte sul do município de Alto Paraíso algumas ocorrências de manganês foram assinaladas. Em 1990 já haviam sido outorgados quatro Decretos de Lavra nesta região. Grupo Bambuí: Formação Paraopeba: Existe apenas uma ocorrência de manganês assinalada em rochas desta Formação, situada na fazenda Moinho. São inúmeros os afloramentos de calcários pertencentes à esta Formação ao longo do vale do Rio São Bartolomeu, sugerindo a possibilidade de exploração econômica dos mesmos (cimento, corretivo de solos, cal, pedra para brita). No início do ano de 1998 existiam 58 pedidos de pesquisa registrados junto ao DNPM – Departamento Nacional da Produção Mineral – 6º Distrito Centro Oeste em Goiânia, envolvendo as seguintes substâncias minerais: - Calcário - 1 - Quartzo - 10 - Manganês - 14 - Caolim - 14 - Ouro - 3 - Ardósia - 16 Materiais de construção: Devemos lembrar também a total ausência de pesquisas específicas para localizar depósitos imprescindíveis para normalizar a exploração desenfreada e ilegal que se verifica atualmente em Alto Paraíso. Referimo-nos à materiais destinados á construção civil, tais como: areia, argila, saibro, pedra para alicerce, revestimento e brita. Alguns depósitos de argila foram assinalados o que pode indicar a possibilidade de implantação de indústria cerâmica. Potencial de risco ao meio ambiente: No Mapa Nº 10 – Áreas Potenciais de Risco ao Meio Ambiente estão assinaladas as áreas que estão regularizadas junto ao DNPM – MME com autorização de pesquisa mineral. No mesmo mapa foram assinaladas as duas principais faixas de mineralizações existentes, relativas à Manganês (parte sul) e à calcários ao longo do rio São Bartolomeu. A implantação de projetos de lavra mineral seria de alto interesse para o desenvolvimento econômico da região, entretanto se constitui atualmente no maior potencial de risco ao meio ambiente assinalado no município, tendo em vista a natural falta de controle sobre este tipo de empreendimento.
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