Alto Paraíso de Goiás - Chapada dos Veadeiros
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Distrito de São Jorge

        O distrito de São Jorge foi criado pela Lei Municipal Nº 499/96 de 06 de dezembro de 1996, estabelecendo o território do Distrito de São Jorge dentro dos seguintes limites e confrontações:

        "Começa à margem esquerda do Rio Preto no ponto de divisa da linha que divide o município de Alto Paraíso com Colinas do Sul; daí segue Rio Preto acima até a barra do Córrego Estiva; do Estiva acima até sua cabeceira; daí, rumo reto até a cabeceira do Córrego Cordoviu; daí, rumo reto até a cabeceira do Córrego Matãozinho; deste abaixo até sua barra no Rio dos Couros; Rio dos Couros abaixo até a linha geográfica que divide com o município de Colinas do Sul; segue por esta divisa até o ponto inicial no "Rio Preto."

        Nesta mesma lei consta que o Distrito de São Jorge será representado junto à Administração Municipal por um Sub-Prefeito, de livre indicação do Prefeito Municipal de Alto Paraíso.

        O distrito de São Jorge, apresenta uma área de 305 quilômetros quadrados. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros ocupa uma área de 54 quilômetros quadrados dentro do distrito, representando cerca de 18 % da área total do distrito de São Jorge.

        O núcleo urbano de São Jorge apresenta as seguintes coordenadas geográficas:

        47º 48' 55'' de longitude oeste

        14º 10' 35'' de latitude sul

        A altitude da zona urbanizada situa-se entre 1.000 a 1.020 metros e o povoado fica situado a cerca de 35 quilômetros à oeste da cidade de Alto Paraíso à qual se acha ligada pela rodovia GO-239.

        Os primeiros registros sobre a existência do atual povoado de São Jorge, indicam que o mesmo foi criado em 1912, sendo constituído inicialmente por um acampamento de garimpeiros cognominado de Garimpão. A exploração de cristal de rocha provocou um aumento gradual de moradores transformando-o no povoado que passou a ser conhecido por Baixa dos Veadeiros, conforme registro paroquial. Posteriormente foi renomeado para Vila de São Jorge, por iniciativa do garimpeiro Severiano da Silva Pires.

        A extração de cristais nesta região atingiu seu auge no início da década de 40 sendo o produto extraído exportado para a fabricação componentes eletrônicos destinados a sonares, transmissores de rádio, telegrafia e telefonia.

        Com o fim da Segunda Guerra Mundial houve queda brusca nas importações de cristal de rocha, muito contribuindo para tal o advento de cristal sintético que passou a ser fabricado nos laboratórios dos países que constituíam os grandes consumidores.

        Com a política de incentivos às exportações introduzida nos anos 60, ocorreu o apogeu econômico da região situada no entorno da Vila de São Jorge. Proliferaram inúmeros acampamentos com construção de várias pistas de pouso rudimentares para aviões de pequeno porte que faziam o transporte do cristal até Goiânia. Antes do fim desta década houve novamente uma decadência na atividade mineradora.

        Os habitantes da região que enfrentaram as inúmeras crises, buscaram na agricultura e no extrativismo de flores do cerrado e de cristal uma forma de sobrevivência

        A criação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros representou uma completa mudança de comportamento para os habitantes do Povoado de São Jorge. A partir da década de 80, seus moradores mais antigos que antes se voltavam para atividades agrícolas ou extrativas, estão cada vez mais envolvidos com o atendimento ao turismo, de forma direta ou indireta. Novos moradores fixaram residência especificamente em função dessa nova atividade.

        Antigas residências foram transformadas em pousadas, bares e restaurantes, terrenos desocupados foram adaptados para servirem de campings e novas construções foram erguidas especificamente para recepcionar os visitantes.

        Mudanças significativas já se revelam no uso e ocupação do solo urbano, pois hoje as melhores pousadas são de pessoas de fora ou de novos moradores.

        Foi criado o loteamento designado por São Jorge II com 167 lotes, pela Prefeitura Municipal de Alto Paraíso, destinado a abrigar não só os moradores mais carentes de São Jorge como novos habitantes vindos de outras localidades.

        Este novo loteamento carece de toda a infra-estrutura básica e mostra sinais de erosão ao longo de suas ruas. Até o presente foram construídas cerca de 40 casas com área de 36 metros quadrados, não existindo sistema de esgotamento sanitários nessas residências.

        A população fixa de São Jorge gira em torno de 360 pessoas alojadas em 72 moradias. Existem mais 26 casas para moradores de fins de semana e 9 residências destinadas à locação para temporadas ou fins de semana.      

        Para atendimento ao turista existem as seguintes instalações:

- 14 pousadas e 3 pensões com um total de 359 leitos

- 10 campings

- 05 restaurantes

- 07 lanchonetes / bares

        As construções mais antigas são de adobe, tendo a fachada voltada para a frente das ruas sem calçamento. O traçado dos lotes é irregular, com dimensões variáveis. Atualmente a maioria das residências é dotada de instalações sanitárias com esgotamento através de fossas negras. Entretanto existem várias residências cujos moradores ainda resistem em implantar estas medidas higiênicas.

        Há um posto de saúde municipal e uma escola municipal de 1º Grau dotada de duas salas de aula, com cerca de 90 alunos matriculados distribuídos em seis turmas, em quatro turnos.

        O povoado é dotado de rede de energia elétrica que serve às residências. Não existe iluminação pública por opção dos próprios moradores através de consenso manifestado através da Associação Comunitária de São Jorge.

        O maior problema existente atualmente refere-se ao abastecimento de água. Existe uma captação feita em pequena barragem no interior do Parque Nacional de onde é conduzida diretamente para as residências de São Jorge. Recentemente foi perfurado um poço tubular para captação de água subterrânea que apresentou vazão de 5 metros cúbicos por hora. O sistema de abastecimento é suficiente para atender à população fixa, mas incapaz de suprir as necessidades da atual demanda turística que se verifica em feriados prolongados. A qualidade da água que é fornecida à população também preocupa. Há necessidade de controle sistemático através de análises periódicas, em especial da água proveniente do poço tubular tendo em vista o sistema de esgotamento sanitário adotado.

        O lixo urbano é disposto em vala à céu aberto. Os recipientes utilizados na zona urbana para o processo de reciclagem precisam ser redimensionados pois não conseguem atender a demanda com o afluxo de turistas dos períodos de alta temporada.

        Uso e ocupação do solo:

        O uso predominante do solo na área urbana verifica-se como uma mistura de residências com estabelecimentos turísticos/comerciais, compreendendo grande número de pousadas, campings e bares/restaurantes.

        Na área rural do distrito existem alguns estabelecimentos constituídos para exploração turística de atrativos naturais. A produção agrícola é pequena ou incipiente, assim como a criação de bovinos.

        O fluxo de turistas nos períodos de férias ou fins de semana prolongados, provoca geralmente congestionamento tornando-se necessário planejar uma estratégia para disciplinar o estacionamento de veículos em dias de maior afluxo.

        A expansão urbana projetada em São Jorge II, com 177 lotes, constitui-se atualmente no maior problema da administração pública devido vários fatores:

- existem cerca de 40 casas habitadas por pessoas de baixo poder aquisitivo, sem dispor dos requisitos básicos de saneamento;

- proximidade do Córrego Rodoviarinha sem nenhuma obra de proteção para prevenir erosão e assoreamento, assim como o carreamento de detritos poluidores para o mencionado curso d’ água;

- parte do loteamento encontra-se embargado pelo IBAMA desde 1994, tendo sido exigida a elaboração de EIA-RIMA por se situar no faixa de 10 quilômetros do Parque Nacional. Ver Mapa saojorge.pdf



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