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Vegetação

        O município de Alto Paraíso localiza-se na região do Cerrado, em termos fitogeográficos, região essa que abrange as áreas do Planalto Central Brasileiro. O Cerrado é uma unidade típica de zona tropical, caracterizada por uma vegetação de fisionomia e flora própria. (Ver Mapa nº 06 vejetal.pdf)

        O Cerrado (sensu lato) é um tipo de vegetação tropical semidecídua, oligotrófica, com fisionomias variando do arbóreo denso ao gramíneo lenhoso. É caracterizado, de modo geral, por apresentar árvores de pequeno porte, isoladas ou agrupadas sobre um tapete graminóide hemicrípitico. Sua vegetação lenhosa apresenta brotos foliares bem protegidos, casca grossa rugosa (corticosa), órgãos de reserva subterrâneos, via de regra profundos (xilopódios) e folhas geralmente desenvolvidas, com estômatos comumente abertos e protegidos por pelos, constituindo formas de vida adaptadas a solos deficientes e aluminizados .

        A Savana Arbórea Aberta sem floresta de galeria é uma formação campestre, entremeada de arvoretas, geralmente raquíticas, com altura em torno de 5 m., esparsamente distribuidas sobre um contínuo tapete gramíneo-lenhoso. É de grande representatividade na área do município encontrando-se sobre o Latossolo Vermelho-Amarelo Álico de textura média e areias quartzosas. Apresenta significativa variação na densidade de seus indivíduos arbóreos. Sua fisionomia na região difere de outras áreas de campo cerrado, sendo constituida predominantemente por arvoretas de até 3 m. de altura, notadamente do gênero Kielmeyera (pau-santo), bastante dispersos sobre um tapete graminóide nem sempre contínuo. São também frequentes Anona crassiflora (araticum), Qualea parviflora, Qualea grandiflora, Qualea multiflora, Pouteria sp. (abio) e Sclerobium sp. (carvoeiro). São comuns o Mouriri elliptica (puçá), Lafoensia pacari (pacari), Tabebuia ochracea (peroba do campo), Machaerium aff. angustifolium (jacarandá-caviúna), Cassia rugosa e Cassia aff. curvifolia, Anacardium sp. (caju do mato). Nos planaltos de cota mais elevada ocorre Vochysia elliptica e Vochysia thyrsoide (paus de tucano).

        A Savana Parque é uma formação essencialmente campestre, natural ou antrópica. Quando natural, tem posição geográfica delimitada pelas áreas encharcadas das depressões, onde o tapete graminóide está sob cobertura arbórea esparsa constituida por uma ou poucas espécies, revestindo áreas pediplanadas do Grupo Araí. Quando antropizada, a Savana Parque apresenta dois substratos bem distintos: o graminiforme, viçoso e denso e o arbóreo, bem espaçado, constituído de Byrsonima sp. (murici). Na Chapada dos Veadeiros a Savana Parque merece destaque pela sua beleza cênica.. As espécies que mais se destacam são: Rhynchospora consanguinea, Bulbostyllis paradoxa, Dichromena sp., Xyris spectabilis, Vellozia glabra e Vellozia glauca ornamentando a paisagem. Do seu estrato arbóreo ressalta-se a Planaltoa salviifolia..

        A Savana ou Cerrado apresenta dois estratos distintos: o arbóreo e o lenhoso, do qual fazem parte os gêneros amazônicos Qualea, Vochysia, Caryocar entre outros; os endêmicos como Salvertia, Callisthene e Kielmeyera e os pantropicais Bauhinia e Styrax. Suas árvores são de pequeno e médio porte, variando entre 7 e 15 metros, com troncos tortuosos e encortiçados e de folhas coriáceas e brilhantes. Sua distribuição espacial está preferencialmente ligada a determinados tipos de solos, álicos e distróficos, em sua maioria profundos e aos solos lixiviados e mesmo litólicos.

 

        Nas planícies aluviais abertas em solos hidromórficos dos baixios, destacam-se comunidades de Mauritia vinifera (buriti) e Orbignya (babaçu). Essas compõem as veredas que são encontradas entremeadas por campos úmidos e matas de galeria, distribuídas ao longo da rede de drenagem, às margens dos cursos d' água.

        A Savana Gramíneo-Lenhosa é uma formação campestre entremeada de plantas lenhosas anãs, mas sem cobertura arbórea, a não ser a faixa da floresta de galeria. Ocorre sobre os Solos Litólicos, sendo frequentes em meio ao estrato rasteiro a palmeira Astrocaryun sp. (tucum) e várias espécies de Callyandra. Na Chapada dos Veadeiros participam do estrato graminóide dessa Savana o Paepalanthus speciosus e várias espécies de velosiáceas, dentre as quais Vellozia anulata, bem como Microlicia sp. e Justicia chysotrichoma.

        A Savana Gramíneo-Lenhosa com floresta de galeria ocorre em terrenos de Solo Litólico, sendo freqüente a Mauritia vinifera (buriti) e Mauritia aculeata (buritirana).

        Nas áreas de altitudes acima de 800 metros, especialmente nas vertentes voltadas para o sul, predominam os campos rupestres. Observa-se nesses a existência de uma flora bastante especializada., com uma endemicidade alta de espécies, especialmente nas famílias Velloziaceae, Eriocaulaceae e Melastomataceae, bem como certos gêneros de outras famílias. Nessas áreas de relevo montanhosos, ocorrem solos quase sempre rasos e derivados geralmente de rochas quartzosas. Além das partes bem drenadas possui grandes áreas de campo úmido graminoso (brejo estacional). As espécies mais representativas são das famílias Cactaceae, Araceae, Bromeliaceae e Orchidaceae, encontrando-se dentre essas as espécies endêmicas como Bletia catenulata variedade caerulea, Oncidium hidrophillum variedade immaculatum e Encyclia chapadensis entre outras..

Ocasionalmente ocorrem arbustos e raras árvores em frestas e prateleiras, encontrando-se também musgos, liquens, além de ervas suculentas e não suculentas.

        A notável variedade de fitofisionomias de Cerrado nessa área tem propiciado  o estabelecimento de uma população extrativista bastante significativa. Contudo, a expansão desordenada das áreas de exploração agropastoril e de projetos turísticos aliadas à queimadas indiscriminadas têm comprometido seriamente a integridade desses ecossistemas. Por conseguinte, a comunidade extrativista tem sentido os efeitos do mal uso dos recursos ambientais vendo diminuídas as áreas anteriormente existentes.



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